Esta expedição teve o apoio de:

Esta expedição teve o apoio de:

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Voltamos do Ishinca

Estamos novamente em Huaraz, depois de seis dias (cinco noites) no campo base do Ishinca (4350 m). Saimos de Huaraz na terca-feira por volta das 8 hs numa van com destino a um vilarejo chamado Cochapampa. Descarregamos a van e carregamos as mochilas e as marinheiras em mulas, que levaram as nossas coisas até o campo base. A trilha é longa (cerca de 15 km) e levamos quase 6 horas para subir. No dia seguinte fizemos uma pequena caminhada de 3 horas até o campo alto do Ishinca onde se encontra o Refúgio Langoni (4950 m).

Na quinta-feira saímos as 8 hs para escalar o Urus (4950 m). A trilha percorre inicialmente uma crista bastante íngrime, até chegar num trecho onde tem neve e pedras. Lá colocamos as botas duplas e crampons e continuamos a escalada. Quando estavamos a 5050 m resolvemos desistir da escalada pois estava tarde e o tempo estava duvidoso. Acho que foi a decisao correta pois durante a decida comecou a nevar levemente.



No dia seguinte ficamos no campo base descansando e praticando algumas técnicas de escalada, como ascensao pela corda com blocantes. No final da tarde preparamos tudo para a escalada do dia seguinte. A Carla resolveu nao ir nesta escalada pois nao estava se sentindo muito bem.

No sábado acordamos as 1h30 e saimos as 3 hs para escalar o Ishinca (5530 m). Percorrendo a trilha toda até a base do glaciar no escuro, usando lanternas frontais. Chegamos no glaciar com o dia clareando. Arrumamos o equipamento e separamos as duplas. Eu dividi uma cordada com o Leonardo. Comecamos a escalar por volta das 7h30. Aos poucos o sol foi aparecendo e esquentando. Foi uma escalada longa e cansativa, com uma rampa no final de cerca de 80 metros com uma inclinacao superior a 45 graus. Chegamos no cume praticamente junto com outra cordada formada pelo nosso amigo Andrigo e pelo Marcel (de Sampa) por volta das 13 hs. Como o tempo estava fechando nao demoramos muito no cume e logo comecamos a descer. Decidimos descer pelo lado sul do cume para conhecer este outro percurso. A descida comeca com uma desescalada de uns 15 metros quase na vertical em uma neve fofa, uma descida bastante exposta. Por isso fomos fazendo seguranca de corpo um a um, até todos passarem esse trecho. O restante da descida foi bem tranquilo, mas bem mais longo que a subida pela face norte. Depois ainda tivemos que dar uma baita volta, numa trilha cheia de pedras (moraina) ate um ponto proximo ao refugio Longoni, onde trocamos as botas duplas pelas botas de caminhada. Realmente, essa opcao de descida foi muito cansativa. Chegamos no campo base por volta das 17 hs, depois de 14 horas de escalada, completamente acabados, mas bastante felizes por termos feito o cume.

Como tanto a Carla quanto o Davi nao estavam muito bem, resolvemos abandonar a idéia de escalar o Tocllaraju (6030 m) e decidimos antecipar a nossa volta para Huaraz para o dia seguinte (domingo). A volta foi tranquila. Saímos as 8 hs do campo base e por volta das 12h30 estávamos pegando a van em Cochapamba. Assim que chegamos em Huaraz fomos numa pizzaria para comemorar essa primeira fase da nossa expedicao.

Hoje reservamos o dia para descansar, lavar a roupa numa lavanderia, atualizar o blog e preparar a proxima fase da expedicao. Os nosso planos sao descansar mais um ou dois dias e sair para escalar o Pisco (5750 m) e o Chopicalqui (6350 m). Antes de partir atualizaremos novamente o blog com mais detalhes dessa outra fase da expedicao.

Fotos do Ishinca

Saindo para o Ishinca


Cochapampa (onde pegamos a trilha para o campo base do Ishinca)


Uma peruana do local


Nosso amigo Andrigo


Na trilha


Felipe


Vista dos dois cumes do Urus

Nosso amigo Davi


Já no campo base (nossa barraca)

Água que desce do glaciar


Uma família peruana que mora nessa caverna que fica no campo base (vendem refrigerantes, bebidas e alguns tipos de alimentos)


Até aqui tem barraquinhas vendendo coisas.


Refúgio Ishinca


Novamente nosso amigo Andrigo


Nosso amigo Davi e seus alunos do curso de escalada em alta montanha


Por-do-sol no acampamento


Felipe descendo do campo base


Na trilha voltando para Huaraz


No restaurante onde fomos hoje (06 de julho)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Mais fotos











Chegamos em Huaraz




Sabado saimos de Campinas bem cedo e chegamos em Huaraz (3090 m) tarde da noite. Foi uma longa viagem, pois fomos de onibus ate o aeroporto de Cumbica, depois pegamos um voo da TAM para Lima e depois um onibus para Huaraz. No domingo fizemos uma caminhada de aclimatacao desde Pitec (fomos de van) a 3850 m ate a Laguna Churup a 4450 m.

Hoje (segunda) fomos contratar o transporte ate o campo base do Ishinca e verificar o estado das rotas que pretendemos fazer la. A tarde vamos comprar a comida e arrumar toda a bagagem, pois partiremos amanha cedo. O tempo por aqui esta excelente e as rotas estao em boas condicoes. Voltarenos a postar noticias nos dia 8 quando voltaremos para Huaraz.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Tudo pronto!

Finalmente estamos com tudo pronto para a nossa expedição. Foram mais de seis meses de preparação, desde o condicionmento físico, a apresentação do nosso projeto para os parceiros potenciais, a logística completa (equipamentos, alimentação, roteiro, reservas, etc). Esta semana fizemos uma verificação (usando um check list) do que vamos levar, separamos e embalamos tudo.

Estamos saindo de Campinas neste sábado (27/06) bem cedo para o aeroporto de Cumbica (Guarulhos) onde vamos pegar um vôo da Tam para Lima às 8h35 (cerca de 5 horas de viagem). Do aeroporto de Lima vamos direto para o terminal norte da empresa Movil, onde pegaremos um ônibus para Huaraz (cerca de 8 horas de viagem). Se tudo der certo, chegaremos um Huaraz no sábado mesmo, por volta de 21 hs.

Vamos passar dois dias (três noites) em Huaraz (3090 m) para iniciar o nosso processo de aclimatação. No domingo vamos fazer uma caminhada leve até a Laguna Churup. Na segunda vamos fazer as compras da comida e contratar o transporte. Na terça (30/06) devemos partir bem cedo para o campo base do Ishinca (4350 m), onde vamos passar uns 5 dias para concluir a fase de aclimatação, além de escalar alguns picos.

Durante esses dois dias que estaremos em Huaraz vamos atualizar o nosso blog com as primeiras notícias e fotos da nossa expedição. Faremos o mesmo cada vez que voltarmos à Huaraz para reabastecer as provisões e descansar (passar uma noite no albergue). Convidamos todos a acompanhar regularmente as notícias desta expedição.

Boas escaladas a todos!

Alimentação: o que levar?

Em alta montanha não sentimos muita fome ou sede, mas gastamos muita energia. É muito importante que estejamos bem alimentados e hidratados, por isso, quanto mais apetitoso for o alimento, melhor.

No ano passado, em nossa expedição para a Bolívia, não levamos quase nada do Brasil. Apenas algumas barras de proteínas. O restante foi comprado em La Paz.

Compramos basicamente: macarrão instantâneo, alguns enlatados (atum, molho de tomate), sopas, frutas secas (damascos, uvas-passas, ameixas, figos, etc), castanhas (avelãs, nozes, amêndoas, amendoins), queijo, pão, café solúvel, cereais, bolachas, leite em pó, chocolate, chá, enfim, alimentos de fácil preparo e outros que você pode levar na mochila e consumir na trilha.

Nessa expedição optamos por levar alguns alimentos liofilizados da marca Liofoods (http://www.liofoods.com.br/default.aspx) por serem mais leves e fáceis de preparar (é só colocar água na quantidade indicada, aguardar alguns minutos e está pronto). As opções são várias e você não sente tanto a falta do “arroz com feijão” de todos os dias.

Consideramos também o fato de que ter uma alimentação melhor balanceada nos proporciona uma melhor aclimatação e, conseqüentemente, um melhor desempenho.

Abaixo, algumas informações sobre o processo de liofilização.

O processo de liofilização ou freeze drying:

O processo envolve dois métodos confiáveis de conservação de produtos biológicos – congelamento e secagem - não utiliza conservantes ou produtos químicos e o controle de umidade é realizado por sublimação.

Este processo, se comparado a outros meios de desidratação, mostra que preserva células, enzimas, vacinas, vírus, leveduras, soros, derivados sangüíneos, algas, bem como frutas, vegetais, carnes, peixes e alimentos em geral. Na liofilização, o produto é congelado abaixo de -30°C, e submetido a uma pressão muito baixa (alto vácuo), fazendo com que a água dos alimentos que foi transformada em gelo seja sublimada, ou seja, passará diretamente do estado sólido para o gasoso, resultando num produto final com estrutura porosa livre de umidade.

Os produtos liofilizados têm suas propriedades originais mantidas – forma, cor, aroma e sabor – e quando conservados adequadamente, mesmo à temperatura ambiente, resistem intactos por muitos anos. Desta forma, obtêm-se produtos da mais alta qualidade, de reconstituição instantânea e que possuem longa vida de prateleira, apesar de a legislação brasileira permitir dois anos de validade.

Outro efeito importante é a diminuição de peso e volume, além da possibilidade de manusear alimentos que, naturalmente, são perecíveis, sem necessidade de refrigeração, facilitando operações logísticas de armazenamento, transporte e distribuição.


Fonte: www.liofoods.com.br

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A logística da expedição


Diferente de uma escalada em rocha, a escalada em alta montanha (ou no gelo) exige uma logística (ou planejamento) bastante complexa. Talvez este seja um dos aspectos mais importantes para o sucesso de uma expedição, além do preparo físico e psicológico dos seus integrantes. Uma vez escolhido o objetivo e definida a equipe, é preciso cuidar de inúmeros detalhes. Podemos subdividir a logística em cronograma, transporte, alimentação e equipamento.

Devemos detalhar o cronograma de acordo com os objetivos escolhidos, definindo as tarefas para cada dia da expedição. Geralmente os primeiros dias são reservados para a viagem até a cidade que servirá de apoio para a expedição, para a compra de comida e para contratar os serviços de transporte até a base das montanhas a serem escaladas. A proxima fase consiste na aclimatação, onde os membros da expedição permanecem por alguns dias em um acampamento base para se acostumar com os efeitos da altitude. Nessa fase geralmente são escalados picos de menor altitude e tecnicamente mais fáceis, para melhorar a aclimatação. Quando a equipe se sente bem aclimatada, ela pode mover o seu acampamento para a base de outra montanha, com picos mais elevados. As vezes torna-se necessário voltar à cidade para reabastecer de comida ou para descansar depois de uma investida mais cansativa. Nesta expedição pretendemos usar a cidade de Huaraz (3090 m) como apoio e fazer a aclimatação no campo base do Ishinca (4350 m) e escalar o Urus (5495 m) e o Ishinca (5530 m). Depois planejamos escalar o Pisco (5760 m), o Copa (6188 m) e o Chopicalqui (6354). Geralmente reservamos alguns dias para reajustar o cronograma em caso de tempo ruim. Para cumprir esses objetivos teremos um período de 23 dias (de 27/6 a 19/7).

Como para nós brasileiros a escalada em alta montanha ocorre em locais distantes, ou melhor, em outros países, a logística do transporte começa com a escolha do meio de transporte até a cidade de apoio. No nosso caso optamos por ir de avião até Lima e de ônibus até Huaraz. Como o preço da passagem aérea tente a subir a medida que nos aproximamos da data da viagem, procuramos comprar as passagens com bastante antecedência (março). Para ganhar tempo vamos direto para Huaraz, ou seja, chegamos a tarde em Lima e pegamos o ônibus a note para Huaraz, chegando lá na manhã seguinte.
O transporte de Huaraz até a base das montanhas, onde começam as trilhas, geralmente é feito em vans, contratadas facilmente perto da ponte, onde elas ficam paradas. Uma boa prática é combinar um valor para a ida e para a volta, já deixando agendado o dia da volta. Outro coisa importante para ser contratada é o transporte de parte da carga (cerca de 20 kg por pessoa) através das mulas. Esse serviço existe em praticamente todas as montanhas e novamente deve-se combinar a ida e a volta. Pode-se contratar esse serviço em Huaraz ou já na montanha, porém pode acontecer de todas as mulas estarem reservadas.

A alimentação é uma parte importantíssima da logística, afinal temos que levar praticamente tudo o que vamos consumir para o campo base. Para reduzir o peso da bagagem no trajeto aéreo, levamos daqui poucas coisas, somente aquelas que não achamos lá, como proteina texturizada de soja, barras de proteina e maltodextrina. Compraremos em Huaraz praticamente tudo que vamos consumir na montanha. Devemos escolher uma dieta rica em carboidratos, de facil preparação e bastante apetitosa, já que um dos efeitos da altitude é a perda de apetite. Usamos um fogareiro de combustível líquido para cozinhar. Como combustível pode-se usar a benzina (benzina blanca) ou gasolina mesmo. Geralmente fazemos uma lista de compra, detalhando a quantidade de cada item, para não esquecer nada e para comprar a quantidade certa em função da quantidade de dias previstos na montanha.

O último aspecto da logística é o equipamento, sem dúvida nenhuma o mais importante. Basta faltar um coisa simples, como uma head lamp, para tornar levar a escalada ao fracasso (não poder iniciar a escalada ainda de noite). Devido a importancia do equipamento, fazemos um check-list para ter certeza que está tudo em ordem. Esta lista compreende o material de acampamento (barraca, isolante, saco de dormir, etc), de cozinha (fogareiro, panelas, pratos, talheres, garrafas, etc.), escalada (mochila, corda, cadeirinha, botas, crampons, piquetas, etc.), roupas (calças, blusas, casaco, anoraque, meias, gorros, etc) e farmácia (protetor solar, creme hidratante, remédios, etc). Vejam na foto acima o equipamento que foi usado em um dia de escalada na Bolívia em 2008.

Continuaremos em breve, comentando um pouco mais sobre esta fase de preparação da expedição!